Internos aprendem sobre história e origem de instrumentos usados no 5º Festival de Música Barroca de Alcântara
Internos da Unidade Prisional de Ressocialização (UPR) São Luís 1, antiga Penitenciária de Pedrinhas, conheceram, na manhã desta quarta-feira (27), a história e origem dos instrumentos utilizados no 5º Festival de Música Barroca de Alcântara. A aula cultural aconteceu a cada intervalo da exibição dos músicos do concerto, que já haviam se apresentado há uma semana na UPR de Rosário, graças à parceria de incentivo à cultura nos presídios, entre o Governo do Estado e as instituições ligadas ao Ministério da Cultura.
“O dever do Estado de ressocializar a pessoa privada liberdade já se tornou algo prazeroso para a gestão prisional do Maranhão, desde o início do segundo semestre do ano passado, quando começamos a colher os primeiros frutos. É notória a satisfação dos internos ao ter acesso às ações de trabalho, saúde e educação, desenvolvidas no sistema pelo Governo do Estado; e a cultura, claro, não pode ficar de fora desse contexto”, destacou a subsecretária de Administração Penitenciária (Seap), Ana Luísa Falcão.

A história de instrumentos musicais clássicos, contada pelos músicos do festival, prendeu a atenção dos internos que apreciaram a apresentação. Francisco Mehmet é percussionista do grupo Yanqin Ensemble, e foi um dos músicos que falou sobre o instrumento que toca, o Darbuka, uma espécie de tambor. “É um instrumento de percussão de origem egípcia, mas ele é comum também na Turquia e nos demais países do Oriente Médio. A grande vantagem dele é a diversidade de sons que ele proporciona”, disse o músico.
Outros instrumentos, como o violoncelo e as flautas egípcias e turcas, também foram contextualizadas durante a apresentação. Em silêncio e total concentração, os internos apreciaram, ainda, a musicalidade dos séculos XVI e XVII tocada no concerto. “Agradeço a Deus, antes de tudo, por estar aqui, assistindo a tudo isso. Eu e meus ‘irmãos’ estamos maravilhados com essa música que é tão diferente de tudo o que já ouvimos aqui em nosso país, e em nosso estado”, contou o interno Marlon Cristiano Pacheco Carneiro.

A secretária adjunta de Atendimento e Humanização, Odaiza Gadelha, falou sobre o direito dos internos à luz da Lei de Execuções Penais (LEP). “Quando alguém podia imaginar uma programação cultural no sistema prisional, ainda mais no Complexo Penitenciário São Luís? O interno perde, enquanto cumpre pena, o direito de ir e vir, porém, todos os demais precisam ser mantidos e respeitados, conforme prevê a Lei de Execuções Penais; e é isso que tem sido provado pela gestão estadual, dentro dos presídios maranhenses”, finalizou.