Governo forma 10 grupos terapêuticos de atendimento a presos dependentes químicos

10/08/2016

Os serviços de atenção aos dependentes químicos que ingressam no sistema prisional do Maranhão foram ampliados. No final do mês passado, o Governo do Estado criou 10 grupos terapêuticos, que já começaram a atuar nas unidades prisionais. A proposta é que os demais estabelecimentos também sejam atendidos. A iniciativa faz parte do plano de fortalecimento da política de reintegração social e humanização da pena, executada pelo governador Flávio Dino, por meio da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap).

Ao todo são quase 200 internos que participam das atividades. Para ser inserido ao grupo, o custodiado, antes de tudo, passa por um atendimento individual de conscientização com o psicólogo do estabelecimento carcerário. “Nesse atendimento é levantado o grau de dependência do interno e ele será motivado a participar das reuniões do grupo terapêutico”, contou a supervisora do setor Psicossocial da Seap, Augusta Marinho.

Inicialmente os grupos terapêuticos estão atuando em 10 estabelecimentos do estado, sendo seis deles em São Luís. Os atendimentos ocorrem nas Unidades Prisionais de Ressocialização (UPR’s) de Paço do Lumiar, Olho d’Água e Monte Castelo. Estabelecimentos como a Casa de Albergado (Centro) e as UPR’s 5 e 6 também são assistidas. A estimativa é que, só na capital, cerca de 100 presos já estejam sendo beneficiados.

Já nas unidades do interior do estado a ação acontece nas UPR’s de Caxias, Codó, Coroatá e Rosário. A meta da Secretaria adjunta de Atendimento e Humanização Penitenciária (SAAHP), por meio da Supervisão Psicossocial, é fazer com que, até o final de julho, os grupos terapêuticos já estejam operando em todos os estabelecimentos penais do Maranhão.

“Hoje os grupos terapêuticos desenvolvem ações voltadas, única e exclusivamente, aos internos do sistema carcerário, mas a proposta é combater a dependência química no âmbito familiar. Com foco nessa possibilidade, já se estuda estender os trabalhos aos familiares do detento que participa do grupo terapêutico”, explicou o secretário titular da Seap, Murilo Andrade de Oliveira.

Integração

Ainda em fase de estudo, a integração de familiares se daria por meio do Núcleo de Assistência à Família (NAF) que seria responsável pelo registro dos interessados em participar da ação terapêutica, visando maior eficácia no processo de recuperação do custodiado.

O psicólogo Acrísio Pereira de Brito Junior destacou a importância da integração familiar nessa ação. “O papel da família é de fundamental importância em todas as fases do processo terapêutico, contribuindo para o fortalecimento do vínculo familiar e também para a efetiva melhora do apenado”, explicou.

As atividades realizadas pelo grupo terapêutico com os internos são bem dinâmicas. As reuniões contam sempre com um tema especifico como, por exemplo, os malefícios provocados pelo cigarro. De forma interativa e descontraída, o coordenador do grupo esclarece sobre os males provocados pelo uso do tabaco.

Diante das informações, os internos começam a interagir, tirando dúvidas pertinentes sobre o assunto proposto. Basicamente o tema está relacionado, é claro, a drogas, ou seja, toda substância entorpecente, seja ela lícita como álcool e cigarro e/ou ilícita – maconha, crack e cocaína.

Em casos mais graves de dependência química, ao ponto de uma crise de abstinência, o grupo terapêutico aciona a equipe de saúde mental da Secretaria de Estado da Saúde (SES) que já inicia, regularmente, o acompanhamento a esta pessoa. Dependendo do caso, o Alcoólicos Anônimos (AA) também pode ser mobilizado.

“O problema da dependência química é algo que a pessoa presa já apresenta antes de dar entrada no sistema prisional. Nesse caso, nosso foco consiste em dois eixos: a prevenção, e, nos casos mais comuns, a recuperação do apenado”, comentou Augusta Marinho.